"Existe um espaço entre o tesão e o descontrole onde se misturam loucura e sonho... É neste espaço que quero me perder com você... Élfica"

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O tempo não pode apagar a poesia do AMOR...


Imagem: Duarte, S.

 

Não quero perder a poesia,
justificado pelo tempo...
Ela pode mudar rimas e versos...
Mas tem o seu lugar...
A poesia do tanto querer,
do gostar...
De apenas se confirmar um amor...
Ele fica mais maduro com o tempo...
Nasce pleno a cada manhã...
Com reflexos dourados de carinho...
Porque esse tempo permite que se conheça melhor o outro...
Aprimora os sentimentos...
Aguça os toques...
Conhece a geografia do corpo...
Percorre estradas, montes...
Mas, se enfeita sempre de maneira diferente...
Olhos sorrindo...
Não quero deixar de falar baixinho...
Palavras entendidas...
Incompreensíveis...
Sentidas...
Expressões de amor...
De gritar o prazer...
De assim ser: sua!
Uma linha pode ser poética,
porque se teve a intenção ...
Ela advém do sentimento...
Do momento...
Do coração...
Não se pode perder a poesia do amor...

Porque o próprio amor é um lindo poema...
Versos da aceitação...
Versos dos toques,
Versos ilimitados do tempo...
De duas vidas se faz uma única...
Vida plena...
Vida de lutas,
Na poesia do tempo...
Num bailar do poema escrito pelo coração:

O AMOR!
(Jane Lagares)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Doida...

"Toda mulher é doida.
Impossível não ser.
A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida.
Eu só conheço mulher louca.
Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.
Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.
Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora.
E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo:
só sendo louca de pedra. "
Martha Medeiros)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

... 6





Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver
Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo
Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem
Talvez eu morra jovem:
Alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído
Completará o meu destino, meu bem...
Que outros chamam de baby.

Belchior

Uns versos...



Sou sua noite, sou seu quarto
Se você quiser dormir
Eu me despeço
Eu em pedaços
Como um silêncio ao contrário
Enquanto espero
Escrevo uns versos
Depois rasgo

Sou seu fado, sou seu bardo
Se você quiser ouvir
O seu eunuco, o seu soprano
Um seu arauto
Eu sou o sol da sua noite em claro,
Um rádio
Eu sou pelo avesso sua pele
O seu casaco

Se você vai sair
O seu asfalto
Se você vai sair
sou a chuva
Sobre o seu cabelo pelo seu itinerário
Sou eu o seu paradeiro
Em uns versos que eu escrevo
Depois rasgo

Adriana Calcanhoto

domingo, 8 de novembro de 2009

Teu nome mais secreto...


Só eu sei teu nome mais secreto
Só eu penetro em tua noite escura
Cavo e extraio estrelas nuas
De tuas constelações cruas

Abre–te Sésamo! – brado ladrão de Bagdá
Só meu sangue sabe tua seiva e senha
E irriga as margens cegas
De tuas elétricas ribeiras,

Sendas de tuas grutas ignotas
Não sei, não sei mais nada.
Só sei que canto de sede dos teus lábios
Não sei, não sei mais nada.


(Adriana Calcanhoto)

Âmbar...





Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
Como se eu fosse um morro iluminado
Por um âmbar elétrico
Que vazasse dos prédios
E banhasse a Lagoa até São Conrado
E ganhasse as Canoas
Aqui do outro lado
Tudo plugado
Tudo me ardendo
Tá tudo assim queimando em mim
Como salva de fogos
Desde que sim eu vim
Morar nos seus olhos

(Adriana Calcanhoto)

eu queria que você viesse...





Eu queria que você viesse
Penso tanto que quase acontece
Porém, se eu decidir não me enganar assim
Talvez o meu pranto tenha fim
Se você ouvisse minha prece
Não quisesse me ver tão aflita
Sonhar não custa nada
Eu quero tanto ainda
Grata te daria uma saliva
Junto com você a vida impera
Nosso 3X4 na carteira
Vendo a meia-lua, a luz e meia
Rogo que me faça uma visita

Eu sonho tanto porque tanto lhe amo assim
O sonho é santo porque traz você pra mim

(Marisa Monte e Carlinhos Brown)

sábado, 7 de novembro de 2009

Só um lembrete do Quintana...





"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando se vê, já é sexta-feira...

Quando se vê, já terminou o ano...

Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê, já passaram-se 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo:

Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais."

Mário Quintana

Desencantados...




Houve uma época em que as pessoas se diziam encantadas por se conhecerem umas às outras. Essa época já passou, ao que parece, e não tanto porque as nossas maneiras de hoje sejam mais rudes, mas porque, desencantados, a idéia de nos encantarmos com o que quer que seja se tornou extremamente aborrecida. Quem se diz encantado por ter conhecido outra pessoa corre o risco de parecer antiquado. E, a não ser que admita que esse encantamento contém em si uma boa dose de desencanto, correrá também o risco de dar a entender, no instante do cumprimento, que está à espera das maiores decepções – quem sabe até preparado para elas ou a desejar que aconteçam. Só assim poderá escapar à suspeita – inevitável – de que, ao dizer-se encantado por conhecer alguém, não ultrapassou os limites da discrição, tomando o outro por aquilo que ele não é.



Dizer-se encantado, depois de séculos de ciência e de exorcismo dos velhos fantasmas da cultura, contém um grão de ironia e, suporíamos mesmo, de insensatez. O fato é que já não nos encantamos facilmente, nem mesmo quando lemos livros sobre bruxos ou histórias de mágicos. E, quando vamos ao cinema, estamos preparados para admitir que não seremos enganados, distinguindo, com olho excessivamente crítico, as trucagens e os malabarismos de cena que visam por certo a produzir em nós o efeito do encantamento. Como nos encantaríamos, se sabemos que, ali, o preço do susto ou do espanto é mais ou menos proporcional ao que pagamos para assistir à sessão?



Só alguém que fosse vítima de um exagerado otimismo poderia admitir que há aí qualquer coisa de genuíno. Acostumados ao desencanto diário (que se distingue – admitimos – do desencantamento, mas não entraremos em detalhes sobre tal questão), é provável que a ideia de que ainda podemos nos encantar nos encante mais do que o encantamento em si próprio. Porém causaria espécie ouvir alguém dizer que está encantado com a possibilidade de encantar-se e que o encantamento em si lhe é indiferente, até porque ainda não chegamos a esse grau de refinamento em nosso modo sutil de ver as coisas. Preferimos, na maioria das vezes, deduzir que quem se encanta ou se diz encantado está apenas mentindo, e pode ser que por esse motivo o emprego da palavra em ocasiões de encontro com desconhecidos tenha caído em desuso. Dizer-se encantado por conhecer outra pessoa ou por ter sido apresentado a ela é, por assim dizer, exagerar na cortesia, e então preferimos o uso de uma interjeição discreta e impessoal, pois dará a entender que ainda queremos ser honestos.



A origem do aborrecimento está em que nosso ceticismo tem raízes profundas. E nosso senso de verdade não vai ao extremo de nos forçar a dizer, ao conhecermos alguém, que nos sentimos desencantados com isso – o que seria mais verdadeiro, mas provavelmente soaria menos polido. As interjeições impessoais têm a vantagem de não nos comprometerem, ao mesmo tempo em que salvaguardam nossa consciência. Elevando de repente uma indispensável barreira de bom senso entre nós e o desconhecido, acabam por lisonjear a ambas as partes, pois é provável que do outro lado se esteja a pensar a mesma coisa. E só mesmo por exagero, por um excesso de honestidade que não esconde a descortesia, ousaríamos dizer que por amor do outro chegamos até o ponto de perdermos a cabeça ou a honestidade.



Com certeza, isso não implica que já não possamos crer genuinamente no encantamento. Mas crer é uma coisa e encantar-se de fato é outra, muito diferente. Quanto a este aspecto, pode ser que a contigüidade entre as duas idéias ou certa confusão que nos leva a tomar uma pela outra interfiram no caso, conduzindo muita gente a pensar que ao dizer-se encantada em conhecer os outros esteja sendo sincera ou que, pelo menos, esteja a dizer a verdade. A sinceridade, logo se vê, ainda teria de ser provada numa etapa posterior.



Cabe suspeitar que, fora de moda, ou irremediavelmente perdida numa região do passado onde as velharias não param de acumular-se, a expressão apenas pode despertar em nós um sentimento de inadequação. E essa inadequação tem a ver, antes de tudo, com o sentimento correlato de que já não nos deixamos encantar – de que isso é coisa de uma época remota.

R.S./A.M.

Fragmentos de un evangelio apócrifo, Jorge Luis Borges...




27. Yo no hablo de venganzas ni de perdones; el olvido es la única venganza y el único perdón.

30. No acumules oro en la tierra, porque el oro es padre del ocio, y éste, de la tristeza y del tedio.

33. Da lo santo a los perros, echa tus perlas a los
puercos; lo que importa es dar.

41. Nada se edifica sobre la piedra, todo sobre la arena. Pero nuestro deber es edificar como si fuera piedra la arena...

saudade 3...

















saudade é o alimento da solidão...

Vinícius de Moraes...


Ai de quem ama

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus